Somos crianças caladas?

As exigências externas atuais, sejam lá do que se tratam, induziram as últimas gerações a um mesmo comportamento que dia após dia nos mostra as consequências disso: a repressão dos próprios sentimentos. Muitos cresceram com medo do julgamento dos pais e, além disso, absorveram a pressão iminente de buscar “ser alguém na vida”, que pouco a pouco suga a vitalidade e abre espaço para um vazio emocional quase que incurável.

Ao longo de três décadas, o suicídio por entre os jovens teve um crescimento assustador de 30% graças a uma cultura muito pouco acolhedora e, por outro lado, extremamente exigente e sufocante. Analisando a situação atual das crianças, é possível notar um padrão comportamental: muitas delas estão se tornando melancólicas e isoladas, bem como outras, externamente, parecem serenas. Esta serenidade é, no entanto, superficial. Isso porque criou-se um enorme estresse em cima das pessoas com características de todo o lado: a má comunicação com os pais, o bullying entre os colegas de escola, as exigências sociais.

Quais são as consequências da auto repressão?

Existem diversos motivos para alguém reprimir a si próprio: comportamento, ideais, sexualidade, negligência dos pais, bullying; e, geralmente, são mais de um motivo para tal. O problema de se sentir sem o apoio e a aceitação disso é o fato do próprio indivíduo aprender a ver um traço de si mesmo como um erro e se sentir culpado por isso, bem como desconsiderar completamente seus desejos e tê-los trocados pelos desejos do que os outros desejam que ele tenha ou realize.

A falsa ideia de que as pessoas precisam obrigatoriamente seguir todo um padrão social de beleza, de comportamento e de sucesso tem cruelmente extraviado qualquer senso de si próprio das crianças. Elas se sentem incapazes, fracas e culpadas por serem como são, aprendem a desprezar isso e a excluir suas necessidades e emoções, tornando-se estressadas e com máscaras sociais a fim de encaixar-se nas atuais pendências.

Por mais que ignorar os próprios problemas pareça, a curto prazo, uma boa ideia, fazê-lo apenas piora tudo o que acontece dentro de si. Você:

  • Se torna melancólico;
  • Fica estressado;
  • Se torna extremamente ansioso e inseguro;
  • Aprende a se desprezar e a buscar algo que não deseja realmente.

Todo o medo de ser rejeitado cria um padrão de comportamento extremamente nocivo para a saúde, uma vez que sua preocupação deixa de ser para si, mas para agradar aos outros. Passa a tentar alcançar um futuro que nunca há de chegar e a se perder em falsos valores que lhe são impostos pela vida urbana.

Além disso, cavar dentro de si para esconder a si próprio se torna um hábito e, depois de tanto esconder pedaços, sua vida se torna vazia, sem que saiba realmente o que te aflige. Ao acumular tanto estresse, ele cresce e se revela em forma de crises de ansiedade, de depressão e extrema tristeza e apatia; e você, sem alguém para se expressar, aguenta e finge que nada aconteceu, voltando à sua vida “normal” no dia seguinte, após uma noite de surto. 

Entender a si mesmo é importante

A verdade é que entender o próprio comportamento e aceitá-lo só criará relações verdadeiras e proporcionará uma vida bem equilibrada e feliz. Desprender-se da ideia de que se deve agradar a tudo abre espaço para conhecer a si próprio e se expressar da forma que lhe parecer melhor. Se há problemas em se expressar, faça sua avaliação com um hipnoterapeuta, ele pode te ajudar.

A única verdadeira solução para essa epidemia de matar a si próprio é a propagação da ideia de que está sempre tudo bem ser como se é e promover a aceitação uns para os outros. Pais que aceitam seus filhos, criam filhos fortes e felizes consigo para o mundo. Amigos próximos uns dos outros se apoiam e crescem juntos. Ademais, entender que viver o hoje é sempre mais importante que prender-se no passado e no futuro é a chave para admirar o que se tem e o que se é para o bem-estar e para uma vida bem vivida.

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